Um terço das empresas considera governo pouco eficiente na superação de barreiras comerciais

Um terço das empresas considera governo pouco eficiente na superação de barreiras comerciais
No Centro-Oeste, esse percentual sobe para 50,5%, revela pesquisa da CNI. Segundo cálculo da FGV, o Brasil perde anualmente cerca de 14% de suas exportações em função desses entraves.
Fonte: Cristiane Bonfanti, Agência CNI de Notícias, 05/12/2018.

Foto: Divulgação/CNI.

Foto: Divulgação/CNI.

“Quase um terço das empresas exportadoras (31%) considera baixa a eficiência do governo para a superação de barreiras em outros países que prejudicam a entrada de produtos brasileiros, revela pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No Centro-Oeste, esse percentual sobe para 50,5%, mais da metade das empresas. Os dados constam da pesquisa Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras de 2018, realizada pela CNI em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo cálculo FGV, quando se consideram apenas dois tipos de barreiras (as técnicas e as de medidas sanitárias e fitossanitárias), o Brasil perde anualmente cerca de 14% de exportações. Isso significa uma perda perto de US$ 30,5 bilhões somente em 2017 e revela a urgência de medidas para derrubar esses entraves nos mercados externos.

Na avaliação do diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, o governo avançou nos últimos anos com a criação de um sistema eletrônico para monitorar barreiras às exportações e aos investimentos brasileiros no exterior. “O setor privado tem feito a sua parte ao notificar as barreiras. Agora, o governo necessita negociar com outros países a remoção dessas barreiras. O setor privado precisa estar próximo do governo para acompanhar o processo de revisão dessas barreiras”, afirma Abijaodi.

OBSTÁCULOS – Ao serem perguntadas especificamente sobre os obstáculos enfrentados nos mercados de destino das exportações, uma grande quantidade de empresas (46%) apontou a existência de tarifas de importação. Um terço delas também apontou a burocracia administrativa e aduaneira no país de destino como uma barreira às suas mercadorias, e 26,3% delas destacaram a dificuldade associada ao cumprimento de normas técnicas. Houve um aumento na percepção da importância das tarifas de importação e das normas técnicas em relação à edição passada da pesquisa.

Em agosto, a CNI lançou a Coalizão Empresarial para Facilitação de Comércio e Barreiras, que, em uma de suas frentes, busca justamente atacar esses entraves em mercados externos que prejudicam as exportações brasileiras. Levantamento da CNI, em parceria com associações e federações das indústrias, identificou 27 barreiras comerciais no exterior contra produtos brasileiros. Essas barreiras foram inseridas no Sistema Eletrônico de Monitoramento de Barreiras (SEM Barreiras) do governo federal, que é atualizado constantemente. Elas impactam desde as nossas vendas de pão de queijo, passando pelo suco de laranja até a carne bovina.

ACESSO A MERCADOS – A pesquisa Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras de 2018 mostra ainda que, para 21,5% das empresas exportadoras, a ausência de acordos comerciais com os mercados de atuação representa um problema crítico para a entrada dos produtos brasileiros nesses países.
Uma parcela de 19,7% das empresas cita como um problema crítico a abrangência insuficiente dos acordos comerciais existentes; 17,8% apontam a existência de barreiras não tarifárias; e 17,4% a de barreiras tarifárias.

A PESQUISA – A pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018 ouviu 589 empresas exportadoras entre outubro de 2017 e março de 2018 e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior.
A maioria das empresas atua no comércio exterior há mais de 10 anos, o que revela a persistência dos problemas apontados por elas. Esta é a segunda edição da pesquisa e busca dar continuidade ao monitoramento dos principais entraves do processo de exportação e avaliar mudanças ocorridas nos desafios enfrentados pelos exportadores nos últimos dois anos”.

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