No embalo do frango, setor de ovos quer ampliar exportações

No embalo do frango, setor de ovos quer ampliar exportações
Representantes do setor de ovos querem pegar carona nas exportações de frango para ampliar envios a mercados como o Oriente Médio.
Fonte: Thais Sousa, ANBA, 28/08/2019.

Thais Sousa/ANBA (Divulgação).

Thais Sousa/ANBA (Divulgação).

“São Paulo – Durante o primeiro dia do Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), o setor produtivo de ovos do Brasil se reuniu para debater o peso da exportação e como ampliá-la. “Como o Brasil já está bem sólido com frango no Oriente Médio, é pegar carona no frango para entrarmos nesse mercado”, declarou Leonardo Guerini, trader da Four Import Export, à ANBA. O consultor participou nesta terça-feira (27) do Simpósio Ovosite, que ocorreu na programação do Congresso do Siavs.

O evento ocorre de 27 a 29 de agosto, em São Paulo, e além de ter uma exposição, está discutindo com palestras o futuro do setor produtivo. O painel do qual Guerini participou foi ‘Estratégias para aumentar as exportações brasileiras de ovos’. Além dele, debateram o tema Leandro Pinto, fundador da Granja Mantiqueira, Gustavo Crosara, diretor da Somai Alimentos, Ricardo Faria, fundador da Avícola Catarinense (de pé, na foto acima) e Redilton Bretas, diretor executivo da Bretas Broker.

O aprendizado que o setor produtor de ovos pode fazer com a cadeia produtiva do frango foi um dos destaques nas falas. Para tal, os palestrantes citaram a união dos produtores em torno de associações como a ABPA primordial. O Brazilian Egg, projeto da ABPA em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), também foi lembrado como ferramenta para impulsionar na exportação.

Para Guerini, é preciso aproveitar a oportunidade que o Oriente Médio representa para o setor brasileiro. A região é o principal mercado e atende uma necessidade no Brasil de escoar a produção de ovo branco. “Como temos muito mais oferta de ovo branco e o Oriente Médio quer (ovo branco), junta a fome com a vontade de comer”, sintetiza.

Entre as tendências às quais os brasileiros devem estar atentos estão os chamados ovos especiais. “A questão do ovo orgânico, ômega 3, cage free – aquele em que as galinhas são criadas livres -, isso mais cedo ou mais tarde, o mercado vai exigir seja de quem for. Se o Brasil estiver preparado, vai ser o Brasil quem vai abocanhar esse mercado. Se o Brasil esperar pelos outros, vai ficar para o fim da fila”, definiu Guerini.

O palestrante, no entanto, reconhece que primeiro é preciso que o setor se consolide no ovo in natura. “A gente exporta 0,4% do que produzimos. Então, primeiro nós temos que aprender a exportar o ovo in natura, e aí dar o segundo passo. O mercado não vai esperar o Brasil. Eu acho que com o passar dos anos as coisas vão mudando, as necessidades vão aumentando. E eles acabam pedindo o produto antes do que a gente imagina”, afirmou.

Ovos férteis nos países árabes

Entre os pontos levantados no debate, a necessidade de incluir a exportação no planejamento foi destacada. Para os produtores que já atuam no mercado externo, o investimento no início foi primordial para ganhar mercado. “Esse ano, como o mercado interno de ovo fértil está muito bom, nós deixamos US$3,5 milhões na mesa para manter a exportação. Não é exportação de estoque, é lema da companhia de honrar contratos. E fazer contratos de três, quatro anos”, pontuou Ricardo Faria, defendendo a aposta no mercado externo como estratégia de longo prazo.

A Avícola Catarinense possui 16 unidades granjeiras espalhadas pelo Brasil, sendo que a exportação de ovos férteis é responsável por 40% da receita da empresa hoje. A companhia atua desde 2016 com ovos férteis e os países árabes são um dos principais destinos de seu produto. “Em ovo fértil, ao redor de 50% da nossa exportação é para Omã, Arábia Saudita, Abu Dhabi e Dubai”, destacou Faria à ANBA.

Já o mercado de ovos comerciais – os que não são férteis – começou a ser explorado pela avícola recentemente. “Começamos em geral há um ano, até conseguir as permissões e licenças demorou um tempo e começamos a exportar há cinco meses. Estamos exportando aos Emirados Árabes Unidos – Dubai e Abu Dhabi”, declarou o executivo.

Nas vendas aos árabes, ele explica que por enquanto o foco são ovos brancos. Ricardo também lembrou em sua fala a importância do posicionamento de neutralidade, que o Brasil historicamente apresenta, para fortalecer as relações econômicas do país. Hoje, a empresa embarca para fora do Brasil dez toneladas de ovos férteis por dia. Metade deles tem como destino o Oriente Médio. “Imagina que tenho que sair com um ovo do sul de Santa Catarina e chegar com ele a 300 km de Riad [capital da Arábia Saudita], em cinco dias”, exemplificou Faria sobre as questões do embarque. Para os ovos férteis, a empresa envia suas cargas por via aérea.

Com foco em elevar o volume exportado, Faria explica que vê nos países árabes futuros mercados. “Eu acho que o Iraque é um país que tem bastante possibilidade. E fortalecer nosso volume de exportação para Dubai. Precisamos chegar até o ano que vem em pelo menos 10% da nossa receita para exportação”, concluiu o executivo”.

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